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Machico recorda memória de antigos combatentes


17.09.2013 - Homenagem do Município de Machico aos Combatentes que lutaram pela Pátria – 1961/1974, Para que a Memória não se apague” é o que se pode ler no monumento inaugurado no Jardim da Graça em Machico, no passado dia 17 de Setembro de 2013, da autoria de Jacinto Rodrigues, que acrescentou, “nas costas” da obra «à Memória do meu Pai”. A escultura surgiu de um pedido do Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes, à autarquia, sendo que o seu presidente, António Olim, acedeu à solicitação, tornando Machico no terceiro concelho da Madeira a ter um monumento em homenagem aos combatentes no Ultramar, seguindo-se a Funchal e São Vicente. A cerimónia, assistida por diversas entidades militares, civis, religiosas e população em geral, contou com a presença do presidente do Governo Regional da Madeira.


O presidente do Núcleo do Funchal, Tenente-coronel Bernardino Laureano começou por agradecer a presença das entidades atrás referidas para de seguida louvar o município de Machico onde é de relevar o empenho do sócio combatente n.º 60.111, Manuel Severino, natural do concelho e que tomou parte na primeira reunião com a CMM no sentido de ser levada a cabo a construção do monumento. Depois, dirigindo-se ao presidente do Governo Regional da Madeira, lembrou que «a Liga dos Combatentes é uma Instituição centenária pela qual todos, sem excepção, devíamos ter muito respeito e carinho, já que uma das suas principais preocupações é sobretudo a defesa da dignidade do Homem como Cidadão e ao mesmo tempo como Combatente.» E, num apelo, adiantou: «não tenho receio de bater à porta seja de quem for porque o trabalho voluntário que desempenho assim me obriga e porque os interesses e a defesa intransigente dos Sócios estão acima de tudo, sou apenas mais um Combatente com funções directivas numa Instituição criada para defender os seus Associados, vítimas da guerra, principalmente:

  • Aqueles que sentem os efeitos da malária ou do paludismo cujos tratamento não são nada baratos;
  • Aqueles que ainda hoje tem receio de sair de casa porque se jogam para o chão ou se metem debaixo da mesa quando ouvem o rebentamento de um foguete;
  • Aqueles que sofrem de perturbações psicológicas e se perdem ou não encontram o caminho de regresso a casa ou deixaram de ter capacidade para controlar os seus impulsos;
  • Aqueles cujas mazelas são tão graves que lhes mutilou o corpo e alma;
  • A Família que sofre do mesmo modo os efeitos da Guerra, principalmente as Esposas que em muitos casos são verdadeiras heroínas;
  • Aqueles que nos batem à porta todos os dias pedindo ajuda, cujos problemas são tão graves que nos deixam incapacitados para os resolver dada a burocracia criada pelo Estado;
  • Em resumo, aqueles por quem não houve compaixão e foram abandonados.

Tudo o que acabo de dizer, Sr. Presidente, são factos reais e V. Excelência poderá contribuir para atenuar algum do sofrimento de muitos Combatentes, principalmente dos mais carenciados.»

O presidente da Câmara Municipal de Machico, Eng.º António Olim, tomou a palavra para justficar a importância do monumento em homenagear a memória dos combatentes vivos e falecidos daquele concelhoe explicou o significado do monumento dizendo que as pedras em mármore e basalto, em formas onduladas, significam o caminho percorrido da Madeira até terras de África e as dificuldades aí encontradas. Por fim, no uso da palavra, o presidente do Governo Regional da Madeira, destacou a responsabilidade das Forças Armadas na construção da Pátria Portuguesa. «Portugal é hoje o mais antigo Estado-Nação da Europa, porque teve Forças Armadas, que conseguiram que um pequeno país, ainda por cima, periférico na Europa, conseguisse manter a sua independência nacional». A seu ver, «é por isso que as Forças Armadas continuam a ter uma grande responsabilidade neste país. Este país nasceu das suas mãos, o actual regime político nasceu das suas mãos. As Forças Armadas têm responsabilidade por tudo isto».
Alberto João Jardim sublinhou que o papel das FA é garantir a paz. «Ninguém concebe umas Forças Armadas para fazer a guerra. Concebe-se as Forças Armadas para garantir a paz e fazer a guerra àqueles que querem fazer a guerra». Para Jardim, «as armas não são para se abandonar. Umas forças armadas nunca abandonam as armas, repousam as armas. Mas estas devem estar repousadas para intervirem sempre que o interesse nacional o exigir».

Ao responsável pelo Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes, tenente-coronel Bernardino Laureano, Alberto João Jardim garantiu que, dentro das disponibilidades financeiras do executivo, ajudar a instituição, recordando que, aquando a inauguração do monumento em São Vicente, «ouvi uma reivindicação sua justa e dei instruções ao secretário regional do Plano e Finanças para que num diálogo com a direcção do Núcleo se fossem resolvendo percursos que são necessários para fazer justiça aos homens que combateram». Sobre os antigos combatentes, o chefe do executivo regional enalteceu ainda a coragem «destes homens, que foram de encontro daquilo que julgavam ser a solução que melhor ia servir a Pátria. Tinham esperança que a solução política ia ser encontrada e sabiam que o seu combate era para garantir a melhor solução possível para Portugal. Infelizmente, não se encontrou a solução que devia ser encontrada. De qualquer forma, fica na memória histórica e do povo o heroísmo daqueles que não fugiram e que lutaram nas Forças Armadas portuguesas».

A cerimónia encerrou com a evocação aos mortos em combate, a deposição de ramos de flores na base do monumento aos combatentes de Machico e com a entoação do hino do Combatente.