Bem-Vindo à Página Oficial da
Liga dos Combatentes


 

 








 

 

 

 

 








 
 

 

 

  Notícias

Homenagem ao Comandante Alpoim Galvão


28.11.2013 - O Núcleo de Viseu da Liga dos Combatentes, em parceria com o Clube de Viseu, a Real Associação e o Regimento de Infantaria 14, prestaram a homenagem merecida ao Comandante Alpoim Galvão. A apresentação da síntese biográfica do Comandante foi feita pelo Presidente da Liga dos Combatentes, General Chito Rodrigues e pelo TCor Brandão Ferreira, que nos deram a conhecer a vida de Alpoim Calvão, o militar mais condecorado da Marinha Portuguesa e um dos protagonistas da História de Portugal das últimas seis décadas.


Esta é a saga de um homem que aos 33 anos liderou as forças nacionais na investida a Conakry para libertar presos portugueses. A operação "Mar Verde" (1970), ainda hoje estudada nas escolas militares de todo mundo, continua sem ser oficialmente reconhecida por Portugal. A homenagem teve lugar nas instalações do Clube de Viseu, no dia 28 de Novembro e coincidiu com a apresentação do Livro “ALPOIM GALVÃO-Honra e Dever”, uma biografia fundamental para conhecer compreender a vida portuguesa dos últimos 60 anos. Uma vida única! A homenagem terminou com um serviço de Dão de Honra.

 

HOMENAGEM AO COMANDANTE ALPOIM CALVÃO - GENERAL JOAQUIM CHITO RODRIGUES

 

Exmo. Senhor Presidente da Direção da Real Associação de Viseu
Exmo. Senhor Presidente da Direção do Clube de Viseu
Exmo. Senhor Comandante do Regimento de Infantaria 14
Exmo. Senhor Presidente do Núcleo de Viseu da Liga dos Combatentes
Caro Capitão de Mar e Guerra Alpoim Calvão e Exma. Esposa

Minhas senhoras e meus senhores

Foi com muito interesse e subida honra que aceitei o convite que me foi dirigido pela Real associação de Viseu para participar na homenagem ao capitão- de-mar- e-guerra Guilherme Almor de Alpoim Calvão e fazer a sua apresentação e a que se seguirá a apresentação do livro “ Alpoim Calvão – Honra e Dever”. Um homem de terra, como eu, e um homem do mar cujos destinos se não cruzaram no terreno, ao longo das suas carreiras militares. Dois fatores porém nos aproximam muito. O primeiro, porque sendo oficiais das Forças Armadas portuguesas pautamo-nos pelos mesmos valores e sabemos o que significa a condição militar. O segundo porque sendo eu Presidente da Liga dos Combatentes, é com muita satisfação que tenho a honra de apresentar um dos seus mais antigos e destacados membros vivos, a quem, ao evocarmos os 200 anos da criação da Torre Espada Valor Lealdade e Mérito, atribuímos, em 2008, a distinção de o considerar Membro Honorário da Liga dos Combatentes.

Inscrito na Liga dos Combatentes com o N.º 37.852 em 10 de Dezembro de 1965, quando era ainda jovem oficial da Armada, viria mesmo a assumir as funções de dirigente da Comissão Administrativa da Agência de Lisboa, como secretário, em 27 de Fevereiro de 1974. Do seu processo consta uma referência feita pelo então Presidente da Liga dos Combatentes o General Afonso Botelho o qual num almoço com combatentes belgas, franceses e italianos, felicita o Capitão tenente Alpoim Calvão, também presente, por no dia 10 de Junho desse ano ter sido condecorado com a medalha de valor militar e promovido por distinção àquele posto. A felicitações enviadas pela Liga o Capitão Tenente Alpoim Calvão responde dizendo, “aproveito o ensejo para desejar à nossa Liga todas as felicidades, no cumprimento da patriótica obra a que se tem dedicado.

Apresento pois um Homem, Combatente, profundamente identificado com a Instituição que dirijo.

Minhas Senhoras e meus Senhores
Em conflito armado, há momentos da vida que transformam os homens em heróis. Estes, quantas vezes nem pressentem que o foram. Em tempo de guerra o heroísmo é coragem, bravura, arrojo, temeridade, valentia, valor. As circunstâncias oferecem a oportunidade. Uns aproveitam-na. Revelam-se e lideram. Outros passaram ao lado dessa oportunidade ou ela não lhes surgiu. Em tempo de paz o heroísmo tem outras características e para os militares poderá surgir ou não quando em situações últimas de crise social, se escolheu ou não, o lado vitorioso das forças que se opõem. Caso contrário, por mais corajoso que se tenha sido e mais fortes que sejam as suas convicções, o heroísmo ficará submerso. Os heróis, como afirmei no meu último editorial da Revista Combatente, têm nome. Hoje apresentamos aqui a Vªs Exas, O Capitão de Mar e Guerra Guilherme Almor de Alpoim Calvão, como um daqueles que na memória coletiva se tem da lei da morte libertado. Acontece que Alpoim Calvão viveu qualquer das duas circunstâncias de heroísmo em tempo de guerra e heroísmo em tempo de paz, que acima referi, de forma intensa. E diversa.

São públicas as referências às excecionais qualidades militares reveladas no desempenho de múltiplas missões em campanha no teatro de operações da Guiné. A designação do atual posto que ostenta, capitão de Mar e Guerra parece-nos uma boa síntese daquilo que foi a sua vida militar: verdadeiro Capitão de Mar e de Guerra. Dotado de vincada personalidade, inquebrantável firmeza nas suas decisões, elevada competência profissional revelou-se na maneira altamente eficiente como sempre planeou, preparou e executou as operações, conduzindo-se em combate com decisão coragem e serena energia, debaixo de fogo. Ao ser escolhido para o comando de operações específicas de alta responsabilidade houve-se de forma notável. A serenidade e sangue frio sempre em ambiente de risco da própria vida, foram exemplo de firmeza e bravura perante os homens que comandou. Não posso deixar de referir a sua participação na operação Mar Verde, nome de código do golpe de mão à capital da Guiné-Conacry que, embora não tivesse atingido todos os objetivos planeados, permitiu a libertação de todos os prisioneiros em poder do PAIGC, a destruição de alguns dos seus arsenais e no dizer do General Carlos Azeredo “ deu à Guiné cerca de 8 meses de paz, sem qualquer atividade significativa por parte da Guerrilha.”

No período revolucionário pós 25 de Abril, as suas convicções levaram-no a participar no 11 de Março de 1975 de que resultaram consequências políticas desfavoráveis para a sua carreira militar. Tendo sido afastado das Forças Armadas pelo Conselho da Revolução, decisão posteriormente considerada inconstitucional, pelo mesmo Conselho, seguiu para Espanha e depois para o Brasil. No Rio de Janeiro, em 1977, diplomou-se em administração de empresas, tendo feito um curso de aviões monomotores. Já no exílio associou-se a um grupo de ação política de apoio ao General António de Spínola com quem havia servido na Guiné. Viria a regressar a Portugal em 1978, tendo passado à reforma em Março do ano de 1990. Amante da leitura, da música, onde a ópera assume lugar de destaque, do colecionismo diversificado da arte, aos automóveis, à pintura e outros, talvez pudéssemos afirmar que os temas preferidos da sua vida tenham sido a segurança em sentido amplo e a cultura musical e artística. Na vertente do colecionismo Profundamente ligado à Guiné, onde se bateu, enveredou por ser ali empresário, a partir de 1986, de alma e coração, arrastando consigo o sentimento de apoio a uma população.Temos estado a falar do oficial mais condecorado da Marinha Portuguesa:

    Oficial da Ordem Militar de Torre Espada, Valor Lealdade e Mérito, com palma, o que significa em campanha
    Medalha de Ouro de Valor Militar, com palma
    Duas cruzes de guerra 1ª Classe
    Medalha de cruz de guerra coletiva de 1ª classe
    Medalha de Prata de Serviços Distintos
    Medalha de Mérito Militar 2ª classe
    Cavaleiro da Ordem Militar de Avis
    Medalha Militar de Promoção por distinção em combate
    Medalha da Ordem do Infante D. Henrique
    Mealha Militar de Comportamento Exemplar, esta recentemente atribuída

Este Combatente heroico, desempenhou diversos cargos ao serviço da Marinha de que destacamos:

    Comandante do Destacamento de Fuzileiros especiais N.º 8
    Comandante das Instalações navais do Vale do Zebro
    Diretor de Instrução da Escola de Fuzileiros
    Comandante da Polícia Marítima
    Comandante do Comando Operacional N.º 3 na Guiné
    Chefe do Centro de Operações Especiais do Comandante Chefe da Guiné
    Diretor do Gabinete de Estudos de Guerra Subversiva

Termino reafirmando que em termos militares e são esses que me cabe sublinhar, o nosso homenageado de hoje, demonstrou reunir em alto grau requisitos e qualidades militares, provados em campanha que fizeram jus às muitas e diversas condecorações que lhe foram atribuídas sendo apontado como um oficial que honra a Armada portuguesa e as Forças Armadas.

Este reconhecimento que hoje é sublinhado pela sociedade civil de Viseu, é pois mais um reconhecimento do alto conceito em que é tido.