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Liga dos Combatentes


 

 








 

 

 

 

 








 
 

 

 

  Notícias

Inauguração do Monumento às Mães e aos Combatentes do Ultramar da Vila de Ribeirão


01.06.2014 - No passado dia 1 de Junho, foi inaugurado, na Vila de Ribeirão, um Monumento de Homenagem às Mães e aos Combatentes do Ultramar, naturais daquela Vila, numa cerimónia promovida pelo Núcleo de Ribeirão da Liga dos Combatentes. O referido Monumento, localizado no Souto de Santa Ana, próximo da sede do Núcleo, é constituído por uma base, encimada por dois pequenos lagos em forma de semicírculo, sobre a qual assenta a figura da Mulher portuguesa simbolizando a Mãe de milhares de cidadãos portugueses anónimos que, um dia, foram chamados a pegar em armas para responder àquilo que o regime politico, de então, entendeu ser legitimo defender, da agressão e interesses estrangeiros.


A figura representando a Mãe, corporiza o sentimento de alguém que vê o filho afastar-se para longe de sua casa, do seu lar, para um local longínquo, desconhecido, cheio de incertezas e perigos vários, no cumprimento de um dever. A primeira figura representa um soldado uniformizado e ataviado a rigor, acompanhado pelo saco mochila, tal como impunham as regras militares naquela época. A terceira figura pretende representar o regresso do Combatente, devidamente uniformizado, batendo à porta de casa, de surpresa, num gesto simbólico de dever cumprido.

Este trio figurativo – representado pelo soldado que parte, pela Mãe triste e angustiada que assiste impotente ao adeus do seu ente querido e pelo seu regresso inesperado são e salvo – pretende exprimir o sentimento vivido pelos Combatentes da Vila de Ribeirão, mas também, de certa forma, traduzir o estado de espírito nacional, que se verificou um pouco por todo o território português, provocado pela nossa odisseia ultramarina, desde o início de 61 até 74 do século passado.

As cerimónias alusivas ao evento tiveram início com a celebração de uma Missa de Sufrágio pelos Combatentes falecidos, na Igreja Matriz, celebrada por Monsenhor Manuel Joaquim, coadjuvado pelo Padre Carvalho Azevedo, da vizinha Paróquia de Joane. De realçar a homilia proferida pelo Padre Carvalho de Azevedo, antigo Capelão do Exército, que numa significativa e muito interessante alocução, demonstrou de forma pedagógica, sem qualquer conotação ideológica, que o serviço prestado à Pátria, pelos Combatentes, que um dia foram chamados a defender o antigo Ultramar, deve ser enaltecido e merecedor da admiração e respeito de todos os portugueses. Durante a celebração eucarística foi, ainda, lido um pequeno texto, por um antigo Combatente enaltecendo a coragem dos Combatentes, demonstrada nos diferentes Teatros de Operações, e os sacrifícios sofridos. Ponto alto da celebração eucarística verificou-se com a oferta ao Altar, de alguns elementos, que faziam parte da vida dos Combatentes, como por exemplo, um cantil, um camuflado e um aerograma, num gesto carregado de grande simbolismo e significado.

Estiveram presentes nesta cerimónia diversas forças vivas da Vila de Ribeirão e do Concelho de Vila Nova de Famalicão; vários Núcleos da Liga dos Combatentes, nomeadamente, de Braga, Porto, Penafiel, Vila Meã, Lamego e Mirandela; representantes de Associações de Combatentes; a Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional, Dr.ª Berta Cabral, que presidio à cerimónia; o Presidente da Liga dos Combatentes, General Chito Rodrigues, acompanhado pelos Vogais da Direcção Central, TCor, Pires Martins, TCor Álvaro Diogo e Arqt.º Eduardo Varandas; o Dr. Paulo Cunha, Presidente do Município famalicense; Presidente da Junta de Freguesia de Ribeirão, Sr. Adelino dos Santos Oliveira; muitos combatentes, suas famílias e população em geral. Depois da bênção do Monumento, pelo pároco local, foram colocadas quatro coroas de flores, em honra dos que tombaram pela Pátria, na defesa do Ultramar, junto à base do Monumento e guardado um minuto de silêncio.

Posteriormente usaram da palavra o Presidente do Núcleo de Ribeirão da LC, Sr. Ferreira dos Santos, o Arqt.º Eduardo Varandas, na qualidade de co-autor do Projecto do Monumento, o General Chito Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes, o Dr. Paulo Cunha, Presidente do Município e a Dr.ª Berta Cabral, SEADN.
Das aludidas intervenções, destacamos as palavras do Presidente do Núcleo anfitrião, referindo-se à inauguração daquele Monumento como sendo a concretização de um sonho perseguido há muitos anos, elogiou a Instituição Militar pelo respeito que a mesma merece a todos os Combatentes e a coragem demonstrada por todas as Mães, que ao despedirem-se dos seus filhos, num período difícil da vida nacional, tudo fizeram para que eles regressassem sãos e salvos, ao convívio dos seus entes queridos.

As palavras do Arqt.º Eduardo Varandas, como co-autor do Projecto do Monumento, em pareceria com o Prof. Escultor Salvador Vieira, reflectiram essa condição e a de antigo Combatente. Abordou estas duas vertentes, descrevendo sinteticamente a sua simbologia e tecendo algumas considerações sobre os meandros que rodearam o período histórico da nossa presença nos territórios que fizeram parte do Imperio Português.

O General Chito Rodrigues dissertou sobre as razões que levam as gentes do Portugal profundo, a associarem-se às autarquias locais e aos Combatentes, no propósito de serem erigidos estes monumentos de homenagem a uma geração que no período pós-revolução foi “mimoseada” com os mais diversos epítetos. Referiu que se encontram espalhados pelo País e estrangeiro diversos Monumentos (mais de 300) evocativos do esforço e dedicação dos Combatentes da Guerra do Ultramar, enfatizando que o movimento associado a este fenómeno não nasceu de cima para baixo mas, antes impulsionado pelo sentimento profundo das populações, em ligação estreita com as autoridades locais, Combatentes e suas famílias e dos Núcleos da Liga dos Combatentes. Fez uma referência especial à Mãe, como mulher determinada, corajosa e valente, afirmando a dado passo da sua intervenção: “SÓ SE PODE SER MAIS HOMEM, MAIS E MELHOR COMBATENTE, QUANDO OS BEIJOS DA PARTIDA SÃO BEIJOS DE AMOR ARDENTE”. Aproveitou a oportunidade para mencionar o facto de estarmos no ano de evocação do centenário do início da Grande Guerra, afirmando que se ergueram no País, evocando sentimentos e sacrifícios, desse conflito mundial, 88 Monumentos. Na ocasião, elogiou o trabalho meritório que vem sendo desenvolvido pelo Núcleo, apesar da sua curta existência (dois anos), aproveitando também para agradecer o apoio que lhe tem sido concedido pela Junta de Freguesia de Ribeirão e Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão.

O Presidente da Edilidade, ao usar da palavra, num breve mas elucidativo improviso, acentuou o significado simbólico subjacente ao Monumento, frisando que o mesmo se enquadra na vertente do serviço educativo que deve ser prestado à comunidade, constituindo, ao mesmo tempo, a evocação do legado histórico e da memória duma época da qual não nos devemos envergonhar.

A Sr.ª Secretária de Estado Adjunta e da Defesa Nacional encerrou o ciclo das intervenções afirmando, a dado passo, que o Monumento inaugurado era fruto do querer colectivo do povo de Ribeirão, enaltecendo o esforço de todas as Mães e Mulheres dos Combatentes, que na retaguarda tudo fizeram para suavizar o sofrimento dos seus entes queridos: filhos, maridos, irmãos e noivos, que participaram na Guerra do Ultramar. Revelou que o Governo tem dado especial atenção aos problemas que afectam os Combatentes, designadamente, dando maior celeridade aos processos de qualificação de Deficientes das Forças Armadas, para que possam ser finalizados com a maior brevidade possível. Noutro ponto da sua alocução não deixou de destacar a missão da Liga dos Combatentes, anunciando o desenvolvimento de acções de apoio de carácter social, cultural e desportivo visando valorizar o Combatente, fomentar o sentimento de pertença, de companheirismo e de orgulho pela sua condição. Elogiou também a LC, na pessoa do seu Presidente, pela forma como tem sabido conduzir a Liga no cumprimento da sua missão colectiva por todo o País.

As cerimónias terminaram com o Hino da Liga dos Combatentes. Seguidamente teve lugar um almoço de convívio, num restaurante local, no decorrer do qual o Núcleo obsequiou todos os presentes com a actuação do Rancho Folclórico de Ribeirão, cuja exibição constituiu uma agradável surpresa pelo momento de lazer e confraternização, que a todos proporcionou. As honras militares foram prestadas por um Pelotão da Escola de Prática de Serviços, comandada por um Alferes, que cumpriu com brio e competência a sua missão.