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Liga dos Combatentes


 

 








 

 

 

 

 








 
 

 

 

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Dia do Combatente, 98º Aniversário da Batalha de La Lys e 80ª Romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido


09.04.2016 - Como já vendo sendo habitual a Liga dos Combatentes, celebrou o Dia do Combatente, no dia 9 do corrente mês de abril, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, evocando também, na mesma data, o 98º aniversário da Batalha de La Lys e a 80ª romagem ao Túmulo do Soldado Desconhecido. As cerimónias deste ano revestiram-se de grande significado pela circunstância de terem sido presididas pelo novo Presidente da República, Prof. Dr. Marcelo Rebelo de Sousa.


Do programa constou uma Missa, de sufrágio pelos Combatentes falecidos, celebrada pelo Bispo das Forças Armadas e de Segurança, D. Manuel Linda, uma Parada Militar prestada por um Batalhão a Três Companhias, dos três Ramos das Forças Armadas e a deposição de coroas de flores, pelas várias entidades convidadas, junto do Túmulo do Soldado Desconhecido, na Sala do Capítulo. Estiveram também presentes, para além de diversas autoridades civis e militares, o Ministro da Defesa Nacional e o Secretário de Estado da Defesa Nacional, muitos combatentes seus familiares e público em geral.

Durante a Eucaristia, Sua Exª Reverendíssima proferiu uma homilia na qual recordou a Batalha de La Lys, para evocar os combatentes ao afirmar que muitos deles foram amigos, filhos, irmãos, noivos, maridos e porventura pais que sofreram e fizeram sofrer. Foram vidas concretas que a guerra truncou. “Não foram números, abstrações ou meras peças de rodagem, eram pessoas como nós, portadoras de idêntico sangue nas veias e de igual dignidade”. Falou da Europa, no atual contexto da crise humanitária, para sublinhar que o velho continente confiou à economia a tarefa da redenção, cortando com Deus e também com o homem. Citou Eduardo Lourenço para dizer que estamos em presença de uma Europa suicidária. Abordou o papel das nossas Forças Armadas e de Segurança e o contributo do seu papel dissuasor para a convivência entre os povos. “Apoucá-las, denegri-las, desestabilizá-las ou minimizá-las é o mesmo que enfraquecer as causas da paz e abrir as portas à violência, à violação dos direitos humanos, ao terrorismo e à morte. Honramos os nossos soldados que já partiram se criarmos as condições para que os nossos militares e polícias possam continuar a prosseguir as tarefas de convivência pacífica, porque foram estes os valores que os levaram ao sacrifício.”

No final da cerimónia religiosa, com as Forças em Parada foram proferidas duas alocuções, respetivamente, pelo Presidente da Liga dos Combatentes e por Sua Ex.ª o Presidente da República.

O General Chito Rodrigues, começou por se congratular com a presença do Mais Alto Magistrado da Nação, para de seguida se referir que aquele ato servia também para assinalar o centenário do fim da neutralidade portuguesa (9/3/16), sobre a entrada de Portugal na GG. Disse que não estavam ali para evocar a glorificação da Nação, penetrar nos meandros da razão, da culpa dos acontecimentos ou para apresentar visões sociais da história ou as diversas óticas politicas ou militares. Estavam ali para mais uma vez, cumprindo a tradição, evocar o soldado português ao longo da história e a sua participação na Grande Guerra. Glorificar o soldado, revisitar a sua memória, o soldado despolitizado, cumpridor de missões na convicção do cumprimento do dever. O soldado que morrendo pela Pátria é colocado no altar pelos companheiros do lado. Evocou também aqueles que há 55 anos se bateram em Angola e na India, em acções defensivas, na defesa das populações e dos territórios que então eram considerados portugueses. Referiu os objetivos estatutários da Liga dos Combatentes, na promoção da história, do amor á Pátria e a defesa dos símbolos nacionais. Terminou a sua intervenção sublinhando ao PR e ao Governo o facto de com um novo Presidente e um novo Governo existir uma nova esperança por parte dos Combatentes por Portugal.

Na sua alocução o Sr. Presidente da Republica começou por afirmar que a Pátria Portuguesa foi-se constituindo com base em memórias de fronteira desenhadas com honra, com espirito de sacrifício, com sentido do dever, com lealdade e bravura. Mais adiante salientou que Portugal nasceu no regaço dos soldados, viveu a sua infância e juventude ao abrigo e cuidado dos combatentes e assim se fez nação. “O combatente anseia pela paz, luta pela paz, pois mais do que qualquer outro conhece o horror da guerra e carrega no seu íntimo as feridas mais profundas e as cicatrizes mais devastadoras. A recordação transforma-se em homenagem o lembrar aqueles cujas marcas de guerra perdurarão para sempre e aqueles que tombaram no cumprimento do dever, entregando a sua vida a um valor muito superior: a liberdade dos outros”. Ao evocarmos a sua memória, o testemunho do seu valor e entrega, ilumina as nossas vidas e estimula a nossa vontade de assegurar a paz, a estabilidade e a segurança internacionais. “E a passagem dos anos dá maior relevo e significado a esta comemoração nacional. O tempo pode atenuar as circunstâncias reais dos feitos que lembramos, mas aviva e torna mais nítidos os esforços que a entrega dos combatentes”. Não deixou de, em nome de Portugal, expressar o reconhecimento e gratidão aos heróis no antes e no agora e seus familiares. Citou Agustina Bessa Luís ao afirmar: debaixo desta abóbada lendária estão as esperanças de um povo que a lei da morte não venceu. Terminou a sua intervenção dizendo: é com elevado sentido de orgulho que como Comandante Supremo das Forças Armadas, presto hoje a minha homenagem aos combatentes do passado, aos combatentes de sempre e assumo firme e convictamente a missão de apoiar os combatentes de hoje e asseguro tudo fazer para que o espirito de D. Nuno Álvares Pereira se mantenha como modelo e guia dos combatentes do futuro.

Terminadas as intervenções as Forças em Parada desfilaram perante a Tribuna de Honra após o que, Sua Ex.ª o PR e restante comitiva, se dirigiram ao Museu das Oferendas, onde assinou o Livro de Ouro da Liga dos Combatentes e teve oportunidade de observar a última Bandeira Nacional, trazida de Macau, pelo ultimo Governador, General Rocha Vieira e entregue à Liga dos Combatentes. Posteriormente tiveram lugar na Sala do Capitulo as cerimónias programadas, com as Honras Militares aos Mortos Caídos em Defesa da Pátria, posto que as mesmas foram encerradas pelo Coro da Cruz Vermelha e a Banda do Exército que entoaram, respectivamente, o Hino da Liga dos Combatentes e o Hino Nacional. Finalmente houve lugar ao tradicional almoço de convívio no RA4, em Leiria.


Fotos: Presidência da República